
RESOLVI FAZER ALGO QUE AINDA NÃO TINHA FEITO AQUI!!!POSTAR UM ENSAIO!
ESTE É SOBRE "O GUARANI" DE JOSÉ DE ALENCAR. VOU POSTÁ-LO POR PARTES.
MINHA AUTORIA.TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.AO PÚBLICO.AFINAL, DE GRÁTIS É SEMPRE MELHOR!!!
O Encontro e a Perda na densa mata
"Quando me encontro no calor da luta
Ostento a agida empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"
De Fado Tropical, Chico Buarque e Ruy Guerra
Não é à toa que O Guarani (1857), romance folhetinesco de José de Alencar, tornou-se sua obra mais lida. Durante toda a história de ganchos fortíssimos elaborados a fim de ganhar a atenção dos leitores, Alencar consegue transpor sutilmente um Brasil de misturas. O autor implica símbolos representantes da invenção de um país que, entre lutas e caprichos, ainda irá cumprir seu ideal.
A Dicotomia Refletida
Se alguns "tipos" são expostos em O Guarani, outros são reinventados. Na obra de Alencar, o tradicional se opõe várias vezes ao novo, mas uma em especial salta aos olhos, quando a imagem que é posta diante de nós traz cheiros, sons e cores incapazes de serem recriados por nossas mentes. Isso ocorre na descrição do cenário. A natureza brasileira que serve de fortaleza para a casa de D. Antônio de Mariz. Os móveis que compõem a sala são tradicionalmente Portugueses e são muitas vezes confeccionados com materiais da nossa terra. Tudo o que há da nossa natureza parece bem servir o tradicional conquistador. E mais uma vez nesta imagem, temos a doce relação dos contrários.
Também estão bem representadas aqui as figuras do Aventureiro e do Trabalhador. Os mesmos mereceram um capítulo inteiro no livro Raízes do Brasil (1936) de Sérgio Buarque de Holanda e serão aqui resumidos. O Aventureiro se caracteriza por aquele que tem repulsa ao trabalho regular e atividades utilitárias e vê grande mérito na conquista, ou seja, no objeto final. O trabalhador se inspira na moral fundada no trabalho rotineiro e construtor, e enxerga o desafio como fundamental. Assim, nessa obra temos melhor representado como o Aventureiro, Loredano e como o Trabalhador, D. Antônio de Mariz, e até mais que isso, com sua verdadeira fidelidade e dedicação ao reino de Portugal. E para essa dicotomia, reservei esse ensaio.